The Last of Us Part II


E pensar que acompanhei todo esse tormento duas vezes...

Tenho contato com essa franquia desde o Playstation 3 e já revisitei bastante o primeiro jogo, que é maravilhoso e facilmente uma das melhores narrativas que já vi. E foi maravilhoso ver o quanto ele evoluiu ao longo desses anos principalmente no versão do remake.


Mas a segunda parte dessa história foi algo ainda maior na minha vida.

Já havia tido a experiência de assistir primeiro e depois joga-lo com Final Fantasy XVI, onde percebi que, por mais que seja a mesma história, tudo muda quando você está no controle. E Last II é um exemplo magnífico disso: assistindo de fora, é um filme maravilhoso, mas, com o controle na mão, se torna uma das piores experiências que já tive na vida.

E digo isso de forma bastante positiva. Foi quase uma tortura psicológica — uma agonia infernal —, mas, ao mesmo tempo, uma experiência para a vida toda.

Por isso, esse texto acaba sendo meio que um desabafo sobre uma experiência que, até hoje, tenho dificuldade de processar. Mesmo sendo uma das mais intensas que já vivi, ainda sinto um sentimento de amargura e vazio.


AVISO DE SPOILER

Começando por como o ato de estar no controle nos torna cúmplices de tudo o que acontece, seja no lado da Abby ou, principalmente no da Ellie. Ainda tenho a sensação de que minhas mãos estão tão sujas quanto as delas, e acho incrível conseguirem transmitir esse tipo de incômodo.

Ainda nesse ponto, há o fato de terem adicionado cachorros no jogo, o que, para mim foi um sadismo diabólico. Perdi as contas de quantas vezes eu perdi a concentração, fechei os olhos ou tive que repetir a mesma parte para evitar matar algum — só que os desenvolvedores são tão cruéis que fazem de tudo para que isso seja necessário. Mas a gota d'água, para mim, foi terem me feito brincar com a cadela que eu havia matado enquanto jogava com a Ellie. Sério, que coisa mais doentia.


Sobre a morte do Joel ainda sinto que foi algo natural, principalmente por tudo que ele fez na primeira parte, independente de suas intenções, mas não dá para deixar de sentir uma tristeza vendo uma morte tão crua como a dele.

E, por fim, temos Abby e Ellie, e o ciclo de ódio — um tópico bastante complexo em que ninguém está totalmente certo ou errado. Por isso, prefiro focar no desenvolvimento das duas.

Senti um certo favoritismo no lado da Abby; algumas cenas do passado dela não eram tão necessárias, mas admito que curti a personagem e senti por ela, principalmente na cena do aquário. Ela serve como contra ponto à Ellie, já que que depois de concluir sua vingança, decide tentar melhorar, nem que seja um pouco, esse mundo tão caótico, mesmo após ter perdido quase todos que eram importantes para ela.


Já a Ellie...


Ela é o motivo do meu vazio amargo até hoje. Entendo a motivação e segui junto com ela nesse caminho, mas, infelizmente, ela se cegou pela vingança ao longo de sua jornada, a ponto de perceber isso. O que mais me deixa puto é o fato de ela ter tido tantas oportunidades de construir uma vida feliz e, ainda sim, ter escolhido ir até o fim por algo vazio, resultando na perda de tantas coisas importantes — sejam pessoas que a amavam ou até coisas mais simples, como poder tocar um violão —,  algo que pode ser até pior do que a própria morte.

FIM DOS SPOILERS


Além da história, há outro motivo para esse jogo ser tão brutal, e isso se deve ao quão detalhada é a violência. Houve vários momentos em que senti desconforto ao matar, pois parecia que eram uma pessoas de verdade. É um mérito da produção, mas sinto que é o tipo de jogo que não é recomendado para pessoas mais sensíveis.

O detalhamento da jogabilidade é outro ponto absurdamente positivo. Sinto que esse jogo é um dos jogos mais bem programados que já vi. É incrível como os inimigos se comportam: no primeiro jogo, eles já oferecem um certo desafio, mas aqui é outro nível. Há partes absurdamente difíceis simplesmente porque dá a impressão que eles estão vivos — que pensam, observam, perceber coisas estranhas ao redor e até olham por debaixo de carros. Meus parabéns para a quem programou isso em especifico...

Last II é facilmente um das experiências mais dolorosas que já tive na vida, tanto pelos personagens quanto pelo mundo, que às vezes eu me sentia em algo próximo do que poderia ser chamado de "inferno", por conta de quão crua é a violência humana.


Dito isso, por mais que que o sentimento final tenha sido tão pesado e amargo, é inegável que se trata de uma obra absurda de bem feita, com um primor que não se vê todo dia. Por isso, gostaria de agradecer a todos os envolvidos, desde a equipe de desenvolvimento até os dubladores — tanto do original quanto da versão brasileira —,  pois está para nascer um jogo tão desgraçado quanto esse.

Comentários

  1. Tá aí um jogo que eu pretendo nunca jogar.

    Quando peguei o PS5, o primeiro TLOU e a Parte 2 eram jogos que eu queria conhecer, mas com o passar do tempo e vendo comentários e o fandom, eu meio que peguei birra do jogo e hoje não quero nem perto de mim.

    TEXTO MTO BOM

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