Chihayafuru (Live-Action)


Bora falar sobre a melhor adaptação em live-action que um autor poderia pedir para o universo.

Sim, não é exagero elogiar dessa forma algo que adapta maravilhosamente uma história que tem uma temática única, que é linda e até inspiradora, e que tem uma das melhores adaptações animadas que já assisti e que, ainda assim, conta também com esse tipo de adaptação que consegue transmitir tudo isso com ainda mais amor e detalhamento.

Primeiramente, uma introdução breve sobre o que diachos seria o karuta, que é a base de toda a obra.
Karuta é um esporte japonês que funciona com base nos Cem Poemas Japoneses. Nele, há um leitor que lê a parte inicial do poema, enquanto os jogadores que vão atrás da carta correspondente assim que o poema se torna identificável. O objetivo é esvaziar o próprio campo antes do oponente.


A história acompanha Ayase Chihaya, uma garota do ensino médio que tem como o objetivo criar um clube de karuta competitivo. Seu sonho é se tornar uma Queen, título dado à melhor jogadora de karuta do Japão.


É surreal que já se passaram cerca de 15 anos desde que conheci um esporte que nunca tinha ouvido falar na minha vida. E essa história gerou vários frutos ao longo dos anos, como o anime, que hoje se encontra na terceira temporada e que facilmente poderia ter mais duas, além de uma trilogia de filmes diviníssima e um certo spin-off.

Essa trilogia adapta boa parte da história de maneira majestosa tanto no clima da obra quanto nos personagens. Fico impressionado até hoje com o quão bem feitas foram as escolhas do elenco, principalmente para a protagonista, Chihaya. Além disso, há atuações maravilhosas, principalmente nas cenas de drama.


Por mais que ame de paixão o anime — e ele seja o responsável por todo o carinho que tenho até hoje, desde meu interesse pelo mangá até a vontade de ir atrás do live-action — que é meu foco por três motivos.

Primeiro, porque, como já comentei no texto sobre Yuru Camp, algumas obras ficam ainda mais realistas nesse formato e, claro, quando são bem feitas. Tudo se torna mais real que dá gosto de assistir, e olha que karuta não é o esporte mais animado do mundo.

O segundo motivo é que o live-action teve uma certa liberdade: mesmo adaptando grande parte dos acontecimentos, ele construiu sua própria história. Sinto que ele é mais dramático que o anime — e isso que funciona demais quando se tem atores talentosos.

Alguns momentos maravilhosos sobre os quais gostaria de falar.


AVISO DE SPOILER

"Minhas cenas preferidas"


Discurso em que o professor Harada fala que uma pessoa só pode dizer que algo é impossível de se conseguir depois de ter tentado de verdade. Essa cena é divina em qualquer formato e serve para a vida também.


A cena dramática do Komano no primeiro filme é algo absurdo, tanto pela atuação dele quanto pela dos demais. Foi ali que percebi o quão divino era o elenco escolhido.


A expulsão da Chihaya do time no segundo filme, por ficar obcecada em vencer a Queen atual enquanto estava perdida em relação à própria motivação, amo essa cena. Ela não existe no original e tem um peso dramático absurdo, principalmente porque a Chihaya chamou tantas pessoas para o clube e, acabou  abandonando todas para focar apenas em si mesma.


Momento de reviravolta na primeira partida de Chihaya contra a Queen atual, Shinobu Wakamiya, quando ela parte pra cima da carta preferida de sua oponente após várias falhas.


Entrada triunfal do Mashima na final das partidas em equipe, no último filme, depois de todo o drama de sua saída do time e de sua busca por uma nova motivação para o karuta — assim como havia acontecido com a Chihaya, já que ela era o fator motivacional dele.


Encerramento da final do campeonato de equipes, em que todos entram em sincronia na última carta. Essa cena é maravilhosa.



E, por fim, ver que a Chihaya se tornando alguém que ela tanto admirava e mantendo o karuto vivo para as próximas gerações.

FIM DOS SPOILER


Acho que deu para entender um pouco do meu amor por essa maravilha, mas, como falei, tenho mais um motivo. E esse motivo é um dos fatores que me levaram a querer tanto falar sobre esse tipo de adaptação maravilhosa: Chihayafuru - Ciclo Completo.


Tentarei, com todas as forças, não me estender, mas foi facilmente o melhor dorama de 2025 e um dos melhores que já vi na vida. Ciclo Completo é um spin-off da trilogia dos filmes que se passa 10 anos após o último filme e também funciona como continuação do mangá. Por ter sido produzido no formato de minissérie, houve mais tempo para ensinar melhor como o esporte funciona para uma nova geração de público.

Para mim, um dos maiores méritos de todas essas adaptações nesse formato é conseguir manter uma qualidade absurda ao longo desses 10 anos, tanto no passado quanto no presente. Mesmo sendo uma continuação, a obra preserva o clima maravilhoso como um todo, apresenta novos personagens muito bons, uma protagonista cheia de camadas e cativante quanto a Chihaya e, acima de tudo, um legado majestoso.


Fazer uma continuação reunindo todos os personagens veteranos e, ainda assim, apresentar um elenco novo que não fique atrás é um mérito absurdo, na minha opinião. Foi lindo poder rever todo os times antigos, antigos rivais, novos rivalidades e interações entre as duas gerações — principalmente ver certos sonhos se realizando.


Eu vejo a Oe como uma segunda protagonista da história. Ela não era um das melhores da equipe, mas sempre teve um amor gigantesco pelos poemas e por toda a parte histórica. Agora, ela retorna como a mentora, assim como o Harada foi no passado, mas dessa vez com seu próprio desenvolvimento — e que desenvolvimento maravilhoso.
Nunca vou me esquecer daquela entrada triunfal num momento tão decisivo tanto para ela quanto para seus alunos, que, para mim, é um melhores payoff que já vi em alguma obra.


Ciclo Completo é realmente literal, pois fecha todo um ciclo que se iniciou lá em 2011, comigo e meus 19 aninhos, quando eu estava começando a apreciar obras diferentes e me deparei com um dos maiores tesouros que poderia encontrar — seja ele em preto e branco, animado ou com pessoas reais.
É o tipo de obra que me ensinou muito, principalmente sobre esforço e sonhos, mas principalmente sobre o valor de um professor e o quanto essa pessoa pode mudar a vida das pessoas, assim como mudou a minha.

Comentários

  1. Essa é uma obra que quero muito ver o live action, por tudo que conversamos, mas eu ainda tenho aquela esperança de sair o anime, por que eu tenho muito carinho por ele. Mas caso não saia até fim do ano, verei o live. É difícil achar Doramas com bons atores realmente, então uma obra boa com boa atuação, é maravilhoso

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  2. No caso do Chihaya é meio complicado devido a falta de acesso da trilogia que é bem custosa de ser encontrada normalmente, fora a legenda. No caso dele fica mais a recomendação do Ciclo Completo que tá bem acessível no Flix.

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