Honkai: Star Rail


Juro que não imaginava que sairia um sobre Star, nem o rumo que ele mesmo tomou depois de tanto tempo, mas, aproveitando o encerramento do arco atual, sinto que dá para falar bastante da minha experiência.

Mas, antes de falar sobre essa cria, preciso citar um outro que me apresentou a esse mundo ingrato dos gachas (jogos que tem uma rotina e taxa de aquisição de personagens) e que tem certas semelhanças com Star Rail: Fate/Grand Order. Outro jogo de turno, com um plot enorme, que joguei por cerca de 3 anos e que acompanho de longe o que sai até hoje.


Quando Star foi anunciado, me deu muita vontade de jogar pois me lembrou bastante do Fate. Mas esperei até que ele tivesse um tempo para se estabelecer no mercado, pois não há coisa pior do que o cancelamento de algo a que você dedicou tempo e carinho. Por isso, não quis arriscar em começar ele logo de cara.
Mas tudo mudou quando anunciaram o arco de Penacony.


Essa "abertura" me chamou tanta atenção que tive de me segurar, mas, depois de alguns meses resistindo, eu finalmente entrei no mundo espacial de Star Rail.
 
Por mais que o tema de exploração espacial não seja um dos meus preferidos, eu já tinha tido um pouco de contato através de jogos como Star Ocean, e a dinâmica de que cada planeta ter sua historia me lembrou bastante Fate, principalmente porque ambos tinham um elemento de grande poder que afetava as regiões.

Eu acho o início da historia ok — o mesmo plot de protagonista amnésico que já vi inúmeras vezes — então o prólogo e o primeiro mapa não chegaram a chamar muita atenção, mas o chefe final de Jarilo já mostrou algo que seria usado muito bem dali pra frente. É muito bom ver uma luta final que tem cara de final-final, que não é a mesma luta de sempre com fases, e principalmente pela trilha foda da segunda fase da Cocolia.



O segundo planeta, para mim, foi decente. Já teve um plot mais grandinho e com cenas mais medonhas, como a famosa cena do pescoço, mas o destaque fica para o cenário maravilhoso da área dos dragões e a forma divina do menino Dan Dan.


Uma coisa que gostei bastante desse planeta foram os eventos do Beco, que me lembra muito uma área de botecos, e o da equipe de caça-fantasmas, que tiveram boas historias.


Mas foi em Penacony que Star mostrou a que veio.

Lembro que cheguei a ver algumas cenas e já sabia de varias revelações que aconteceriam no plot, mas, mesmo assim, foi uma experiência incrível, pois havia muitas facções envolvidas e personagens bastante carismáticos que curto até hoje como Sparkle, Aventurine e Firefly.


O plot teve trocentas reviravoltas, mortes, aí na verdade não era morte, mas a cena foi bem safada, dando a entender que era o caso. Mas, para mim, o mais incrível dessa historia é que ela me passava uma vibe de que eu não estava em gacha, e sim em um jogo de turno que pego pra jogar normalmente, pois o ritmo e narrativa me faziam esquecer que era um jogo de serviço.

O plot do Aventurine foi incrível; a luta contra ele é uma das mais legais até hoje, por mais que seja bem chata em dificuldades maiores devido o fator sorte — e a cena do corte da Acheron foi foda.


Eu já estava bem satisfeito com o rumo da história, mesmo que com alguns poréns — pois esse planeta teve uma duração bem maior que todos os últimos, o ritmo era mais lento em algumas partes e havia muita informação sendo passada devido aos inúmeros personagens envolvidos — então veio o belíssimo clímax, que puxou toda uma questão filosófica sobre livre-arbítrio e fuga da realidade, já que se passava em um planeta onde o povo vivia dentro dos sonhos, em uma "realidade" bem diferente. Esse arco me lembrou bastante a pegada de um Persona da vida, pois também tinha um ótimo antagonista.

Nisso, na batalha final, teve "O Momento". Depois de descobrir que boa parte da aventura era um sonho dentro de outro, veio o momento de libertar o povo daquilo — e, novamente com uma insert song cantada por um das personagens, num timing lindo que, pra mim, é algo inesquecível.


Penacony teve seus momentos cansativos e confusos, com as questões de ser realidade ou não, e um epílogo bem enrolado e meio que sem ligação com que o que rolou. Mas isso não muda o quão maravilhosa foi a experiência nesse planeta, principalmente pela criatividade dos cenários. O jogo já tinha muitos lugares bonitos, mas o tema "sonho" deu mais liberdade criativa para criar coisas mais mirabolantes. E outro detalhe muito bom é a personagem Robin, que tem uma lista muito boa de músicas mesmo fora do jogo.

Com isso, encerrei esse planeta incrível e muito ansioso pela próxima aventura do Expresso — só que foi aí que as coisas começaram a desandar...


Antes de entrar na minha ultima experiência e motivo de ter vontade de falar sobre, gostaria de comentar um cadinho sobre a parte interna do jogo e fazer uma menção honrosa, porque a Feixiao merece.
Como disse no início, pra mim Star é um sucessor do FGO  e um dos melhores gacha de turno que já joguei, pois ele tem um visual lindérrimo, tanto nos cenários quanto nos personagens —  principalmente os que saíram a partir de Penacony em diante —, e uma OST primorosa, seja de batalha, de mapa ou nos momentos épicos. E, como ele é um jogo de serviço, ele tem certas vantagens e, claro, muitas desvantagens que podem afetar a experiência.

Outra menção honrosa vai para o capítulo de intervalo do "Duelo das Lâminas", que, além de desenvolver melhor alguns personagens, ainda apresentou duas que gosto bastante: Yunli e Feixiao. Com destaque para Feixiao, que, além de ter uma ótima presença e design, também tem uma das melhores batalha de chefe do jogo e foi uma das mais difíceis, por ter três fases e vários ataques em área.


Agora, o ponto-chave onde quero elogiar, xingar e desabafar — por que não? — sobre esse planeta/jogo completo chamada Amphoreus.


Amphoreus é o planeta/arco atual dessa criança, e já deixando claro de início: mesmo com seus problemas críticos, foi realmente épico.

Desde seu anúncio até o primeiro trailer, já falavam que ia ser uma história enorme, que iria seguir por todo ciclo de atualizações do ano — , e, sim, foi realmente enorme...
Uma das minhas maiores reclamações sobre essa saga é que liberar um plot massivo como esse, com personagens demais tendo destaque, logo de cara com menos de 2 anos de serviço, só serviu para acabar com a base que já havia sido construída: nada de eventos interessantes e ter meio que perdido o sentido de ser um jogo de turno. Porque um plot de gacha ter cerca de 60h de duração para cima é algo bizarro de anormal, principalmente por ser em um jogo de serviço, sinto que algo com essa escala só deveria ter acontecido com pelo menos 5 anos de serviço.

Mas foi bom pelo menos?
Diria que boa parte dele sim — pelo menos a primeira metade, que pra mim foi absurdamente maravilhosa. A jornada dessas crianças foi incrivelmente foda, dolorida e triste na maior parte... até que veio a segunda parte, e virou outra história, na minha opinião.


Me recordo de vários momentos incríveis, como Mydei recuperando seu trono e servindo de guardião para que pudéssemos prosseguir com a jornada.


A mentira da Cipher, que manipulou a realidade por séculos, mantendo a paz na terra e a segurança do pessoal de Ohkema.


A luta maravilhosa contra o Titã do Céu, que pra mim foi uma das melhores lutas do jogo, principalmente pela trilha cantada que foi inserida na hora do clímax.



E, claro, todo o arco do Phainon, que para mim é o ápice de toda a história do Star Rail. Não tem waifu que bata a desgraça de vida cruel que esse homem teve ao longo dos 33.550.336 ciclos, e dona Mihoyo se empenhou ao máximo em transmitir todo o peso que ele teve de carregar, resultando em um dos melhores personagens que já vi —  da sua primeira aparição até seu último momento.


Mas... infelizmente, a segunda parte não me desceu: mudança de protagonista, foco em um personagem de que não gostei e que teve uma importância absurda no desfecho da historia — como se a história fosse apenas sobre ela; sim, estou falando de você, Cyrene — , uma complexidade exagerada envolvendo linhas temporais, cálculos matemáticos, vibe cibernética no meio de um épico mais medieval que quebrava a ambientação já estabelecida, além de personagens que foram apresentados de última hora que sequer tiveram o mesmo peso que os que já existiam, inflando ainda mais uma história que já estava absurdamente grande.


Mas e o clímax, foi bom pelo menos?
Eu queria muito poder elogiar melhor o clímax, porque a luta contra o Irontomb foi bem bonita e a escala cósmica dela foi incrível. Só que, depois que terminei tudo e pensei com calma, percebi que ela infelizmente não me passou nem de longe o sentimento que tive contra o Sunday em Penacony — que, apesar de tudo, tinha uma motivação muito plausível enquanto "vilão". O de Amphoreus, no fim, era só uma casca vazia. 

Outro ponto é que a luta nem chegou a ser mais incrível que a contra o Titã do Céu. Minha conexão com os personagens nessa fase já não era a mesma da primeira parte, então, apesar de ser uma luta foda e "épica" deixou a desejar como uma luta de encerramento de Star Rail.

Ps: Cara Mihoyo, obrigada por me fazer matar o Phainon depois de tudo que esse homem sofreu...


Aí, depois, o plot ainda foca mais e mais tempo na história da Cyrene, cujo plot eu não entendi até hoje — e nem quero —, que tinha tanto poder que resolveu os problemas num passe de mágica. E a história ainda me acaba com um sentimento de: "Nossa, isso tudo pra terminar desse jeito?".

Na minha opinião, o povo deveria ter continuado vivo depois de tanto sofrimento e tantas "perdas" ao longo de milênios, e fechar isso com um final agridoce ruim foi só decepcionante mesmo. Esse foi o sentimento que ficou, porque eles mereciam um final melhor do que ficar de molho num "limbo" até que seja conveniente a volta de alguns.


Eu já imaginava que seria um texto longo, mas ficou realmente grande...
Star Rail tem inúmeros problemas que vão da narrativa à jogabilidade, e principalmente por seus elementos de jogo de serviço. Mas foi algo que entrou na minha vida num momento onde eu precisava de uma distração, algo que me ajudasse até que eu estivesse bem de novo. Então, por mais que hoje eu não pretendo mais seguir com ele, isso não muda o fato de que essa aventura espacial tem seu lugarzinho no meu coração, e que sou grato pelo tempo em que ele fez parte da minha vida.

Comentários

  1. Lembro que comecei o star Rail após ouvir muita coisa boa vinda de você, mas infelizmente comigo ele não clicou, tem seus méritos e coisas boas, mas acho que o nível de complexidade para uma história de pouco tempo foi um tiro no pé, acredito que deveriam ter guardado isso mais para frente, infelizmente isso afasta muito público, pois quando jogamos algo de serviço, queremos uma coisa rápida e simples na maioria dos casos, mas não dá pra negar do carinho e a dedicação da empresa com a obra

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    1. Sim, acho que foram muito precipitados em colocar um plot que claramente poderia ter sido usado mais pra frente, porque o encerramento dele acaba deixando a história com uma cara de algo que poderia ser um spin-off, e não como parte do todo. Mas, mesmo assim, fico feliz de ter feito parte desse momento na história de Star.

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